Um ano de consagração para o Circuit Café Culture

Esse ano nosso evento deu o que falar...

E para fechar com chave de ouro, trazemos aqui em primeira mão uma materia da jornalista Terezinha Lopes em um bate-papo com Oswaldo Machado e Augusto Burle da Associação dos Amigos de Burle Marx, além de um video bastante explicativo sobre a importância de Burle Marx para a cultura brasileira e novos artistas.

 

 

 

 

 

Circuit-Café-Culture abre portas para novos artistas

Por Terezinha Lopes
 

 

Artistas são lançados e divulgados fora de circuitos tradicionais.

 

Novas ideias e a abertura de novos espaços têm servido de alavanca para o lançamento e a divulgação de novos artistas fora dos circuitos tradicionais. Esse é o caso do bem-sucedido projeto Circuit-Café-Culture ao inaugurar sua segunda edição, no dia 5 de novembro, reunindo, simultaneamente, quatro cafés culturais selecionados no Brasil, França e Suíça e 35 obras de 14 artistas de diferentes nacionalidades.

 

"Portinari dizia que qualquer manifestação artística, por mais simples que seja, merece a nossa aprovação", afirma Augusto Burle, membro da Sociedade dos Amigos de Burle Marx. "É fundamental que essa ideia se multiplique país afora", acrescenta. Oswaldo Machado, outro integrante da entidade, lembra a influência da obra de Burle Marx para nova geração de artistas.

 

Pela segunda vez, o Circuit-Café-Culture foi hospedado no Rio de Janeiro, na Brasserie Caffè Olé, considerado um "oásis" instalado no Centro da cidade, sempre com as portas abertas para a divulgação de trabalhos de novos artistas. Mike Schadrack, um dos proprietários do estabelecimento, comemora a iniciativa: "temos poucos espaços como esse, deveria haver muito mais interesse, muito mais movimento para proporcionar esse ambiente visual com as obras de arte e fazer esse projeto andar".

 

A iniciativa permite, além da combinação da arte e do prazer de uma boa mesa, um contato direto dos artistas com os frequentadores do local. A proposta do conceito é fazer uma vez por ano uma nova edição do Circuit-Café-Culture e, a cada ano, aumentar as duplas de cafés e o número de artistas. Na primeira edição, em 2017, participaram duas estações (Rio de Janeiro e Genebra) e oito artistas. Já em 2018, o Circuito contou com quatro estações de cafés (Genebra, Rio de Janeiro, Annemasse, na França, e São José do Rio Preto, São Paulo), e 14 artistas.

 

Segundo Augusto Burle, projetos como esse deveriam ser mais desenvolvidos, principalmente no Brasil, onde não há muito incentivo à arte. "É muito importante oferecer espaços aos novos artistas, uma vez que há uma espécie de bloqueio das galerias profissionais para recebê-los", diz Burle, lembrando o custo elevado das galerias e o fato de que, na maioria das vezes, artistas novatos não alcançam preço.

 

"Esse tipo de exposição coletiva é uma maneira de oferecer esse espaço. Isso é muito importante para o artista ser lançado. Eventualmente, alguns podem obter sucesso, ser lançado num circuito profissional de galeria e até fazer currículo", diz.  

 

Augusto Burle observa ainda que é muito difícil sobreviver de arte no Brasil. "Antes de tudo, precisa ter qualidade no trabalho. A qualidade é fundamental. Infelizmente, a maioria das pessoas chega sem aprendizado, sem consistência. Por isso, é importante também o artista fazer um curso forte para depois sair do academicismo e se soltar".

 

E acrescenta: "Portinari dizia que a maior dificuldade dele foi se libertar do academicismo para a arte livre. Há também o artista que parte direto para o abstrato, mas a pessoa pode ser tornar um abstrato através do movimento de sua cultura. Com Burle Marx foi assim e muitos artistas surgiram nesse caminho. A arte é uma carreira ingrata, mas é fascinante. Vale a pena tentar".

 

Idealizado em Genebra pela artista brasileira, Leca Araujo, que divide a produção com a curadora Elisa Muradas, o Circuit-Café-Culture tem como proposta divulgar a arte contemporânea e fazer uma conexão entre diversos cafés culturais no Brasil e no exterior. A segunda edição foi realizada no período de 5 de novembro a 15 de dezembro, com a participação de artistas do Brasil, Suíça e Grécia, além de uma artista brasileira radicada na Alemanha.

 

As obras dos 14 artistas foram expostas no seguinte circuito:

Café Librairie Les Recyclables

Rue de Carouge 53, 1205 - Genebra- Suíça

Brasserie Caffè Olé

Rua do Teatro, 3 - Centro - Rio de Janeiro

Le Doxaty Café

4, Rue de la faucille, 74100 - Annemasse- França

Maroka Decora & Café

Rua Capitão João Gomide, 139 - São José do Rio Preto - São Paulo

 

 

 

>> Voltar

 

Please reload

© 2018 by Self-Curated

  • Facebook Clean
  • Twitter Clean